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terça-feira, 9 de abril de 2013

À atenção de Fernando Ulrich (BPI)


 
"Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.

Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular. Era aí que eu te punha, meu glutão.

 
Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.

Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua.

Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.

 
Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.

Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois… São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.

 
Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.
 
Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.

Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.

 
Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.
 
Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?
Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos.
Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.

Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.

 
Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi de merda!
É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?

Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.

 
Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.
 
És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te porém do que aconteceu a uns e ao outro."

Alice Brito

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Um Governo armado em Pai Natal, que nada resolve a quem poupa ou deve, pouco


Em conversa informal, ficamos a saber que um amigo que possui os seus pequenos aforros no BPN, quando tentou mobilizar os valores da sua conta bancária, foi impedido de o fazer à data, por motivos técnicos, segundo a versão do funcionário da agência a que se dirigiu.
Agora também ficamos a saber pela RTP, que este filme já se passa com muitos outros pequenos aforradores no País inteiro.
Ó Senhor Primeiro Ministro! Pode explicar-nos por favor, aonde foi parar a "massa"/ o "graveto" / o "pastel" / o "carcanhol" / o "pilim" /... sim, sim, os 800 milhões de euros, dissemos bem, oitocentos milhões de euros, com que este Governo presenteou o Banco Português de Negócios?
Parece-nos ser verdadeiro o velho ditado que diz: na banca se um cliente deve 1.000, o problema é dele; se deve 1.000.000,o problema é do banco.
Ainda alguém acredita nesta "malta" / "trupe" / "seita" / "cambada"... ?

Este País, infelizmente, já não é para levar a sério. Entramos na "idade", não na "média", mas sim na do "salve-se quem puder". Que tristeza!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Para reflectir....


Nos Estados Unidos um gestor que cometa ilegalidades, candidata-se a uma pena de prisão de 7 anos.
Em Portugal gestores que cometem ilegalidades de "milhões" são indeminizados "opulentamente" e são convidados a passar umas férias tranquilas fora de portas.

Somos mesmo um país de brandos costumes! E os "chicos espertos" governam-se à grande e à portuguesa!

A Frase...


Um país em que o Estado é obrigado a indemnizar accionistas que contribuíram para o descalabro de um banco é um país que promove a falcatrua como modo de vida."
In: Paulo Ferreira, "Jornal de Notícias", 5 de Novembro de 2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Deprimente!!!...



Estamos tão deprimidos, que apenas nos apetece transcrever "ipsis verbis" o texto vertido no TU-BARAO:


Vergonha

Esta situação do BPN é uma vergonha!

Nacionalizar, ou seja, sermos nós a pagar, falcatruas que são conhecidas desde o inicio deste ano, demonstra falta de acção, falta de coragem e o pior de tudo um deixar andar do BP e da tutela que não se admite nem a uma criança.

Se em vez de jogarem golfe, prestassem mais atenção aos assuntos urgentes e prementes deste país talvez o "buraco" não fosse de tal monta!

Vamos ver agora, que se destapou a panela, o que vai aparecer mais.

E o Zé sempre a pagar.

E está tudo dito! Acrescentamos.